Sonha em conhecer Machu Picchu? Nesse roteiro conhecemos não só uma das 7 maravilhas do mundo moderno, como também Cusco, Vale Sagrado e o belíssimo lago Titicaca tanto no lado peruano quanto boliviano. Foram 13 dias de viagem em setembro de 2018 que poderiam facilmente ter se estendido até o Atacama, no Chile, mas que por falta de tempo dividimos em duas viagens: Cusco a Copacabana e depois, no ano seguinte, de La Paz a San Pedro do Atacama.
Como meu relato ficou mais extenso que o comum, vou fazer um resumo antes:
Dia 1: Vôo
Dia 2: Cusco – Aclimatação
Dia 3: Cusco – Saqsayhuamán, Catedral de Cusco, Q’enko, Puka Pukara, Tambomachay e Q’oricancha
Dia 4: Cusco – Terraços agrícola de Moray e Salinas de Maras
Dia 5: Cusco – Trilha Laguna Humantay
Dia 6: Cusco – Ollantaytambo e Pisac. Fim do dia saímos de Ollanta de trem até Aguas Calientes
Dia 7: Machu Picchu pela manhã e volta para Cusco à tarde
Dia 8: Andahuaylillas, Rachi, La Raya e Pukara em ônibus turístico de Cusco a Puno
Dia 9: Puno – Passeio Ilhas Flotantes. Ônibus para Copacabana à tarde
Dia 10: Copacabana – Ilha do Sol
Dia 11: Copacabana – Igreja Nossa Senhora de Copacabana, Plaza 2 de Febrero e compras. VOlta para Puno de ônibus à tarde.
Dia 12: Puno – Vôo de volta no fim do dia
Dia 13: Chegada ao Rio de Janeiro
Dia 1:
Saímos 19:10 do Rio de Janeiro e chegamos em Cusco no dia seguinte ás 5:05 da manhã.
Dia 2:

Centro de Cusco 
Cusco Sunday Parade
Cusco – Nosso Hostel nos buscou de graça no aeroporto às 5 da manhã e nos deu chá de coca enquanto esperávamos o quarto. Tomamos café no próprio hostel e saímos 7:30 para conhecer os arredores. Passamos pela Plaza das Armas e fomos na Av El Sol trocar nossos dólares por soles. O local com melhor cotação que encontramos foi na Multidolar na Av El Sol 346. Depois do câmbio, compramos o Boleto Turístico General (130 soles), que é o ingresso de entrada para diversos sítios, como Saqsayhuamán, Q’enko, Puka Pukara, Tambomachay, Ollantaytambo, Moray e Pisac. Depois do boleto, fomos comprar nossos passeios dos próximos dias. Achamos uma agência chamada Legendary Tours na Av El Sol 226 e com eles fizemos um pacote com um dia de City Tour (Catedral, Q’oricancha, Sacsayhuamán, Q’enqo, Pukapukara e Tambomachay) por 25 soles, um dia em Moray e Maras por 35 soles, um dia na trilha da Laguna Humantay com almoço e café por 75 soles e um dia em Ollantaytambo com almoço por 55 soles.
Não faríamos nada nesse primeiro dia para tentar descansar e aclimatar, pois a altitude me deixou bem cansada e andar exigia um grande esforço, mas acabamos passando no Mercado Central São Pedro comprar lembrancinhas e na volta vimos uma pequena Sunday Parade que acontece todo Domingo na Plaza de Armas. Não encontrei muita informação a respeito, mas teve um desfile bem legal com música e dança. O dia terminou com um almoço no Sara The Organic Café Bistro (delicioso) e descansamos o resto do dia.
Dia 3:

Q’oricancha 
Sacsayhuaman
Cusco – Tomamos café, passeamos um pouco pelas ruas de Cusco, almoçamos no delicioso Ceviche Seafood Kitchen e fomos para a Catedral para o início do City Tour. Esse passeio é muito corrido, pois passa por 6 pontos turísticos em 4h. Os que mais gostamos foram Saqsayhuamán, Catedral e Q’oricancha. Vale a pena fazer o tour só pela explicação do guia desses pontos. Além disso, o valor do passeio é bem barato para tudo o que oferece (uns 30 reais aproximadamente). As piores paradas, em nossa opinião, foram Q’enqo e Puka Pukara, mas como são no fim do passeio e o grupo todo já está correndo para chegar em Tambomachay antes de escurecer, são paradas bem rápidas.
Dia 4:

Salinas Maras 
Moray
Cusco – Saímos cedo do hotel para conhecer o artesanato em Chinchero, seguido dos terraços agrícolas de Moray e as salineras em Maras. Aqui a gente teve o primeiro contato com os terraços e formas de plantio Inca, o que já nos preparou para o que veríamos em Machu Picchu. O passeio é feito só na parte da manhã de modo que nos dias 3 e 4 desse roteiro você consegue aclimatar e descansar apropriadamente antes da trilha do Lago Humantay no dia seguinte.
Dia 5:

Laguna Humantay com neve 
Trilha Laguna Humantay 
Laguna Humantay 
Laguna Humantay
Vou detalhar bem como foi esse passeio para quem tem dúvidas sobre fazê-lo ou não. Em resumo, vale muito a pena!
Saímos 5:15 de Cusco e enfrentamos 3h em uma van sem ar condicionado passando por uma estradinha incrivelmente estreita beirando a montanha. O caminho já é a primeira parte da aventura. A van parou então em um local próximo à entrada da trilha e o grupo andou até um restaurante no pé da trilha para tomar café da manhã. Já aviso que essa pequena caminhada foi muito cansativa para mim, então não se assustem se 500m andando removerem suas energias: você se recuperará.
Após o café, ás 9:30 iniciamos a subida. A agência nos deu cajados para ajudar a subir a trilha, e eles foram essenciais durante todo o trecho de ida e volta. A primeira parte foi a pior para mim, com muitas paradas para descanso no caminho e sem ar por boa parte do tempo. Quando chegou à parte mais íngreme da montanha, em vez de eu ficar mais cansada, o ar voltou aos meus pulmões e eu consegui energia suficiente para subir cantando e conversando, coisa que era impossível para mim no primeiro trecho da subida. Então se você estiver sofrendo no início, não desanime. Talvez seu corpo, como o meu, só precise aquecer e pegar o ritmo. A trilha toda foi feita por nós em 45min, o que nos deu 1h15min para aproveitar a bela lagoa. As fotos mais bonitas são tiradas do alto, então após a trilha a gente continuou subindo para tirar fotos nos arredores.
Comemos, descansamos, apreciamos a vista lindíssima da lagoa, e com energia renovada, iniciamos a descida. A volta é mais complicada, pois escorrega muito e o uso do cajado é essencial, mas fora isso é bem tranquilo. Voltamos rindo e conversando e chegamos para almoçar no mesmo local do café por volta de 12h.
A volta para Cusco, após o almoço, foi difícil porque o sol estava muito forte e a van não tinha ar, mas o motorista parou no caminho para tomarmos sorvete e refrescar.
Dica: Apesar de estar muito frio às 5h da manhã, quando saímos, na trilha estava muito calor, e todo aquele peso de casaco, gorro e luva só nos atrapalhou. Tente não levar tanta coisa para não ter de ficar carregando um monte de roupas de frio desnecessárias.
Dia 6:

Ollantaytambo 
Ollantaytambo
Cusco – Fizemos check out em Cusco, deixamos os mochilões no nosso hostel e saímos apenas com uma mochila menor para dormir em Aguas Calientes. Antes disso, fizemos nosso passeio de Pisac e Ollantaytambo. O passeio dura um dia inteiro, começando em Pisac. Aqui, paramos em um local com artesanato e jóias, com destaque para artigos de prata peruana. De lá, passamos rapidamente pelas ruínas de Pisac (rápido demais, em nossa opinião) e paramos para almoçar em Urubamba (almoço maravilhoso). De Urubamba, o tour percorreu mais 19km até Ollantaytambo, onde está uma das zonas arqueológicas mais interessantes do Vale Sagrado.
Aqui, há uma decisão difícil de ser feita: Você pode comprar um trem que sai de Ollantaytambo às 16h rumo a Aguas Calientes, o que faz sua passada por Ollanta ser mais corrida. Ou você pode fazer como nós e comprar o trem de 19h, que foi bem legal, pois ficamos algumas horas a mais explorando Ollanta, mas foi ruim porque ficamos umas 2h entediados esperando em uma estação que mal banco para sentar tinha (não se parece em nada com estações de trem europeias, é mais um terminal de ônibus de cidade pequena no Brasil). O ideal era ter um trem umas 17:30.
Nesse dia chegamos em Aguas Calientes ás 21h e ainda fomos comprar o caríssimo ônibus para subir para Machu Picchu no dia seguinte (12 dólares por pessoa).
Dia 7:

Machu Picchu 
Machu Picchu 
Machu Picchu lhamas
Machu Picchu – Saímos cedo do hotel, tomamos café perto do ponto de ônibus e 6:30 já estávamos subindo rumo a Machu Picchu. As entradas para MP nós compramos online com bastante antecedência e, ao chegar no sitio, procuramos por um guia para nos explicar melhor esse lugar incrível. Como estava demorando muito para formar grupo, resolvemos fazer um tour particular mesmo. Nosso guia Lucho era muito bom e ficamos 3h com ele percorrendo o circuito 1, o mais completo. Eu queria fazer a Ponte Inca e a Porta do Sol também, mas acho que teria que ter procurado um guia que incluísse esses dois pontos no roteiro, pois uma vez finalizado o circuito, não conseguimos retornar ao ponto que dava acesso a eles.
Não consigo nem descrever o que é conhecer Machu Picchu, pois além de lindo, tem uma energia maravilhosa. É algo que recomendo todos a irem conhecer e ver com os próprios olhos, pois é uma experiência única. Após nosso tour, descemos a montanha de ônibus, perambulamos pelas ruas de Águas Calientes e paramos para um maravilhoso almoço no Full House Peruvian Cuisine. Melhor carne de lhama da vida!
Voltamos no trem das 15:20 e chegamos 19h em Cusco. Para economizar, negociamos um taxi compartilhado, que encontrou um casal de argentinos que iria até a Plaza das Armas por 12 soles cada.
Dormimos nossa última noite em Cusco no mesmo Hostel (Kori Gems), já descansando antes do dia cheio que teríamos na manhã seguinte.
Dia 8:

Pegamos o ônibus turístico da Turismo Mer (45 dólares), que saía 7h da manhã de Cusco e chegava 17h em Puno, fazendo 5 paradas ao longo do caminho. A primeira parada foi em Andahuaylillas, uma igreja colonial com belas pinturas, depois fomos no complexo arqueológico de Rachi (minha parada favorita), almoçamos em Sicuani (já incluso), seguido de uma parada em La Raya, a 4335m de altitude, e, por fim, parada no museu lítico de Pukara, que decidimos não ir. O ônibus é incrivelmente confortável, com poltronas mais largas do que estamos acostumados e com cortina entre bancos. Para quem vai sozinho, há uma fileira de bancos individuais igualmente confortáveis. Achei uma ótima escolha para quem não dorme bem em ônibus e quer conhecer um pouco mais do Peru. Chegando a Puno, já compramos o passeio de barco para o lago Titicaca no dia seguinte e descansamos antes de mais um dia cheio.
Dia 9:

Islas Flotantes Puno 
Barcos em Puno
Puno – Fizemos check out no hotel e deixaríamos nossa mala na agência que nos levaria para o passeio de barco, mas, para nossa surpresa, o local estava fechado e a agência ao lado ficou com nossas mochilas.
Como encontrei pouca informação sobre essa parte da viagem, vou especificar um pouco mais. O barco que pegamos era o passeio das Islas Flotantes em Uros e custou 25 soles. A saída foi ás 8:30 e primeiramente parou em uma das ilhas flutuantes e explicou como elas são feitas (sim, eles fazem a própria ilha que flutua com uma planta chamada Totora) e depois tivemos tempo para tirar fotos e subir no pequeno mirante da ilha para admirar a paisagem. De lá, pegamos outro barco até uma ilha maior por mais 10 soles e colocamos um carimbo de Puno no nosso passaporte . O mais legal dessa segunda parte foi o passeio de barco mesmo, pois o lago é muito bonito e os barquinhos harmonizam lindamente com a paisagem.
Voltamos para o porto em Puno ao 12h e almoçamos em um dos lugares mais baratos, gostosos e bem servidos do Peru: Dona Juanita. Ele fica no porto mesmo e a Truta gigantesca com batatas de tipos que nunca tinha visto antes custava 18 soles (dá até para dividir). De lá já pegamos as mochilas na agência em frente ao porto e fomos para a rodoviária.
Só existe um ônibus em um horário para ir à tarde de Puno para Copacabana, que é o Titicaca Bolívia. É um ônibus quente e apertado, mas é o único disponível. Ele sai às 13:30 da rodoviária de Puno e deveria ter um trajeto de 3h com adicional de 1h de fuso horário boliviano. Não sei se meu caso foi exceção à regra, mas tivemos um atraso no ônibus porque duas pessoas não possuíam visto para entrar na Bolívia. Com isso, só chegamos em Copacabana ás 18:45.
O Hostal que ficamos merece um post só dele, pois foi um dos lugares mais incríveis que já me hospedei, mas vale mencionar que, como tinha cozinha, rede e vista para o lago, compramos nossos mantimentos no mercadinho próximo ao porto para fazer um ótimo jantar ao vinho nas duas noites que lá ficamos.
Dia 10:

Ilha do Sol 
Vista do restaurante Pachamama 
Ilha do Sol 
Barco até a Ilha do Sol 
Hostal Las Olas 
Ilha do Sol
Copacabana – Acordamos bem cedo e compramos o passeio para a Ilha do Sol por 25 bolivianos + 10 da entrada da ilha no barco que sairia 8:30. Resolvemos descer direto na primeira parada na Isla del Sol em vez de ir até a Isla de la Luna, pois o trajeto de barco era muito longo para pouco tempo de passeio. Houve certa resistência do guia em nos deixar fazer isso, mas descemos de todo modo. Com isso, tivemos até 15:30 para explorar a ilha com calma, almoçar e voltar no lento e vagaroso barco.
Nosso roteiro na Isla del Sol foi basicamente seguir o grupo de alemães e franceses da nossa frente (nessa parte da viagem os brasileiros sumiram e só vimos europeus). Primeiramente subimos a escadaria até a Vila Yumani e depois caminhamos até o mirador Palla Khasa. Descansamos no mirador, apreciamos a paisagem e depois voltamos para um belo almoço com vista no restaurante Pachamama. O almoço com entrada, prato principal e sobremesa foi apenas 25 bolivianos (~12 reais). Voltamos para o porto, descansamos no gramado e pegamos o barco de volta a Copacabana a tempo de ver o pôr do sol tomando meu vinho na varanda do Hostal.
Dia 11:

Copacabana – Aproveitei a manhã para conhecer a Basilica Nossa Senhora de Copacabana, ela que deu origem ao nome do famoso bairro carioca. Explico: Lá fica a imagem da Nossa Senhora da Candelária, que passou a ser chamada pelos locais de Virgem de Copacabana. A réplica dessa santa foi trazida para o Rio de Janeiro e o bairro passou a ser conhecido como Copacabana.
Além da Basílica, passeei pela Plaza 2 de Febrero, comprei lembrancinhas e fiz um brunch no El Condor e Eagle Café, com um dos pães mais saborosos que já comi na vida.
O Ônibus de volta foi o Tour Peru, incomparavelmente melhor que o Titicaca, e chegamos 16h em Puno, já finalizando nossa viagem.
Dia 12:
Puno – Na verdade, não há necessidade de retornar a Puno. Por motivos logísticos, o vôo saindo de Puno era melhor e mais barato do que saindo de La Paz. Se não fosse, teríamos ido até La Paz e voltado para o Brasil de lá. Nesse dia só passeamos pela pequena cidade de Puno e aguardamos a van que nos levaria até o aeroporto ás 17h. A viagem nos deu um gostinho do que é o Peru e a Bolívia, e só nos deixou com vontade de conhecer mais.
Dia 13:
Rio – Nosso vôo chegou 11h da manhã no Rio de Janeiro.
Onde se Hospedar
Cusco
Kori Gems – Quarto grande, atendimento maravilhoso, próximo a Plaza das Armas e com um dos melhores cafés que já tomei (queria até ter trazido um pacote comigo).
Aguas Calientes
Machu Picchu Adventure House – Bom custo benefício antes de Machu Picchu
Puno
Casona Plaza Hotel – Bom preço e boa localização.

Copacabana
Ecolodge Las Olas – Um dos lugares mais diferentes que já ficamos, tem vista para o Lago, rede, balanço, cozinha e duas camas dentro de chalés em formato de concha. Não é barato, pois em Copacabana nos ofereceram hospedagem por 6 dólares dentro do ônibus, enquanto o Las Olas era 50 dólares a diária. Ainda assim, me hospedaria lá novamente.
Onde Comer

Sara Organic Café – Melhor causa e Ají de Gallina da viagem. Um dos destaques em Cusco

Ceviche Seafood Kitchen – Tem vista para a Plaza das Armas e delicioso ceviche, além de ótimas opções de sobremesa.
Justina Pizzeria – Boas opções de pizza por 40 soles

Full House Peruvian Kitchen – Melhor carne de lhama que já comi na vida, delicioso Pisco Sour e vista para o rio. É uma ótima opção para finalizar um dia perfeito em Machu Picchu

Dona Justina – Ótima opção em Puno após o passeio com pratos bem servidos a um bom preço.
Pachamama – Além do bom preço e da boa comida, ainda pode apreciar a linda vista do Lago Titicaca na Ilha do Sol.

El Condor & the Eagle Café – Um dos melhores pães da vida, esse café irlandês em Copacabana é ótimo para mochileiros. Bom atendimento, bom lugar para descansar, tomar um bom café e ainda encher as garrafinhas de água para viagem de graça. Comemos muito e pagamos apenas 35 reais cada.
Cambio
Aqui no Brasil sempre compro dólares na DG Câmbio. É a melhor cotação que já encontrei.
Em Cusco fizemos o câmbio na Multidolar (Av El Sol 346).
Em Copacabana o preço era bem parecido em todos os lugares. Nós trocamos na própria agência do tour, ao lado do El Condor & Eagle Café
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