Roteiro famoso entre os brasileiros é bem barato e pertinho do Brasil. Diferente do que a maioria costuma fazer, nós iniciamos a viagem por La Paz e terminamos em San Pedro de Atacama. Apesar das passagens mais baratas serem indo e voltando do Chile, a chegada por La Paz permite aclimatar antes de atravessar o deserto de sal e terminar descansando nas Thermas do Atacama. Quer saber mais? Vamos lá:
Dia 1:
Saída do RJ ás 18:55 e chegada 3:34 da madrugada em La Paz. Contratamos um transfer do Hotel por 70 bolivianos, mesmo preço dos taxis até o centro.
Dia 2:

La Paz – Para nossa surpresa, era feriado na Bolívia e estava tudo fechado. Sorte que o hotel tinha restaurante, pois haviam pouquíssimas opções abertas. Demos uma rápida volta no centro e aproveitamos para aclimatar e descansar.
Dia 3:

Plaza Murillo 
Mi Teleférico 
Mirante El Alto
La Paz – Tomamos café no The Writers Coffee, visitamos o entorno da Plaza Murillo, e entramos na Catedral de La Paz. Depois disso, tentamos ir no Museu de Arte ao lado, mas estava fechado (fecha 12-15h), então passamos pelo Teatro Municipal (que não vale muito a pena, na minha opinião) e terminamos a caminhada na bela Calle Jean. Aproveitamos e já fechamos passeio do próximo dia na Hanaq Pacha Travel.
Saindo de lá, almoçamos no Carrot Tree no Mercado de las Brujas e fizemos compras no mercado. Lá tem bastante lembrancinhas como agasalhos, meias, chaveiros e cadernos para levar para a família. Melhor de tudo: o preço é metade do que cobram no Atacama.
De lá andamos até a estação central do teleférico Rojo e subimos até El Alto de teleférico. Ao lado direito da saída do teleférico tem um mirante com bela vista da cidade e das montanhas ao fundo. Tiramos algumas fotos e voltamos para a estação Central. Esse dia inteiro de passeio com paradas para almoço e café foi de 10:30 da manhã até 19h.
Acho que o mais legal a destacar desse dia é como La Paz tem passeios bons e baratos. A ida e volta do teleférico custou 6 bolivianos, em torno de R$3,50. Só para ter uma ideia, um teleférico em Barcelona nos custou ida e volta 12 euros, que na conversão ficou em amargos 60 reais.
Dia 4:

Chacaltaya 
Chacaltaya 
Valle de La Luna 
Chacaltaya
La Paz – Fizemos o belíssimo passeio Chacaltaya e Valle de la Luna das 8:30 as 14:30 (o normal é terminar 16h, mas nosso guia parecia estar com pressa). Chacaltaya é uma estação de ski abandonada e, além de ter uma bela vista do alto, tem alguns trechos com neve ou gelo mesmo no verão, pois a altitude chega a 5435m, o que faz com seja mais frio. Já o Valle de La Luna não é perto do Chacaltaya, mas costuma ser feito em um passeio conjugado pelas agências de turismo. O local é bem bonito e é muito diferente do passeio de mesmo nome no Atacama.
O passeio que fizemos foi com a Hanaq Pacha Travel e custou 150 bolivianos por pessoa, em torno de 80 reais. É uma ótima opção para testar se já está aclimatado e para nós brasileiros costuma chamar atenção por ter vista com montanhas nevadas, algo que não temos no Brasil.
Dia 5:

Voamos de La Paz para Uyuni. A saída de La Paz foi bem conturbada, pois havia uma passeata que impediu nosso transfer de nos buscar e tivemos que correr naquele tumulto em busca de um táxi vazio. Não sei se é comum, mas recomendo sair do hotel para o aeroporto com muita antecedência para evitar problemas.
Ao chegar em Uyuni, corremos na Quechua Connection pagar o passeio (já reservado).
Esse trecho da viagem foi feito por nós de avião, mas você pode escolher entre as 3 opções abaixo para chegar em Uyuni saindo de La Paz:
- Ir até Oruro de ônibus e pegar o trem até Uyuni por 20 dólares em uma viagem de 11h. O ônibus sai 8:30 de la paz e chega 12:30 em Oruro e o trem sai 14:30 e chega 21:20.
- Ir de ônibus de La Paz até Uyuni (opção mais comum e mais barata). Os ônibus são noturnos e a viagem dura 8h em um ônibus-cama. Custa uns 20 dólares.
- Ir de avião pela Amaszonas ou Boliviana, que é a opção mais cara – uns 300 reais, mas mais confortável. Fomos com a Amaszonas e foi um bom vôo. O avião é menor, semelhante aos da Azul, com duas cadeiras em cada lado, mas a viagem foi bem tranquila e durou apenas 1h.
Dia 6:

Cementerio de trenes 
Bandeiras no Salar 
Hotel de sal 
Salar de Uyuni 
Pôr do sol no Salar 
Romance no Salar de Uyuni
Uyuni – O Salar de Uyuni conquistou meu coração na primeira foto e esse primeiro dia era o mais esperado. Nosso tour tinha mais 4 pessoas, totalizando 6 no carro, mais nosso maravilhoso guia e motorista. Como o tour era pequeno, logo ficamos amigos, o que ajudou a tornar a viagem inesquecível.
Nesse primeiro dia do tour o passeio começa no cemitério de trens, que permite você subir e explorar trens antigos – é bem divertido!
Depois, partimos para o maior deserto de sal de mundo, com 10 mil km2 de sal. Aprendemos um pouco sobre a exploração e processamento do sal no local e depois fomos ao Hotel de sal em meio do deserto. Em março/19, quando fomos, estava tão alagado que a travessia parecia ser em um rio raso.

Almoçamos em uma mesa colocada no meio do deserto para nós e depois partimos para tirar fotos com o belo reflexo que o deserto alagado faz. Após as fotos, voltamos para o Hotel comprar bebidas para apreciar o pôr do sol no sal. O dia termina com um delicioso jantar antes de nos levarem ao hotel.
OBS: Nós deveríamos ter ido ao INCAWASI ISLAND no fim do dia, onde tem aqueles enormes cactos, mas estava tão alagado que a travessia não foi recomendada. Voltamos a Uyuni e continuamos o passeio de lá mesmo.
Dia 7:

Valle del Coral 
Valle de Rocas 
Laguna Hedionda 
Arbol de Piedra 
Laguna Colorada 
Geyser Sol de Manana
Salar de Uyuni – É bem difícil lembrar os nomes de todos os locais que visitamos, pois o tour é muito completo. Começamos no Valle del Coral, depois o belíssimo (e divertidíssimo) Valle de Rocas, Ollage Volcano, Laguna Cañapa e Laguna Hedionda. Almoçamos em uma mesinha com vista para as lagunas e milhares de flamingos ao redor, além de algumas llamas.
Depois do almoço, fomos para o Desierto Siloli, onde pudemos ver o famoso Arbol de Piedra, pedra em forma de árvore. Há no local outras pedras para subir e apreciar a vista.
Como eu disse, é um dia muito completo e passa por inúmeros pontos turísticos na região, um mais bonito que o outro. Antes do dia terminar, o tour ainda passa na linda Laguna Colorada e depois nos Geysers Sol de Mañana. Fiquem atentos para aclimatar bem antes do passeio, pois esse dia chega a 5mil metros no Geiser e dormimos a 4300m.
A grande vantagem de ter feito o tour com a Quechua é que no segundo dia podemos tomar banho à noite nas Termas de Polques (onde fica o alojamento) olhando o incrível céu estralado do deserto, o mais lindo da vida! Normalmente o segundo dia do tour é o que mais reclamam do perrengue, pois são alojamentos simples e compartilhados sem banho quente. No nosso caso, foi uma noite inesquecível. O guia parou no caminho para comprarmos vinho e a própria Quechua fez um jantar de massa com vinho nesse alojamento para nós. Levamos nossas garrafas para as Termas e ali ficamos a noite toda vendo inúmeras estrelas cadentes, Via Lactea, estrelas e planetas. As Termas tinham temperatura de 39 graus e eram até quentes demais, mas como fazia -3 graus lá fora, tínhamos o banho perfeito. A volta é feita com uma pequena caminhada no mais profundo breu (levem lanterna) e no frio, mas logo chegamos no alojamento, trocamos de roupa e dormimos na cama com saco de dormir para aquecer.
Dia 8:

Nascer do sol nas Termas de Polques 
Laguna Verde 
Deserto Salvador Dali 
Céu no Tour Astronômico no Atacama
Uyuni/Atacama – O terceiro dia para quem vai para o Chile é bem corrido (7-9h). Vimos o sol nascer nas Termas de Polques, depois passamos pela Laguna Verde, Laguna Branca e pelo Deserto de Salvador Dali. Tudo isso é feito em poucas horas, pois temos que pegar o ônibus para o Chile as 9h (horário único pelo que me disseram). A fronteira fica a apenas 30min de distância, então valeu a pena pegar voo em Calama e não em Uyuni para voltar ao Brasil, pois a volta para Uyuni são 6 a 7h no tour de volta.
Chegamos no Chile antes do almoço e compramos os passeios dos próximos dias com a Whipala Expediction e nessa mesma noite fomos no Tour Astronômico das 21h às 23:30h. O céu não é tão estrelado quanto na noite anterior, pois temos cidade próxima ao local, mas é muito lindo também.
Dia 9:

Valle de la Luna 
As Três Marias 
Pôr do Sol no Valle de la Luna
San Pedro de Atacama – Depois dos dias intensos na Bolívia, fizemos um roteiro mais tranquilo no Atacama. Nesse primeiro dia fomos à tarde no Valle de La Luna, que passa pelas belas formações rochosas locais e conta com o contraste entre a terra, o céu azul e o sal. O passeio termina apreciando o pôr do sol de um ponto especial e que é possível ver desde os tons de laranja comuns como rosa e azul claro.
Dia 10:

Thermas de Puritama
San Pedro de Atacama – No nosso segundo dia no Atacama fomos às Thermas de Puritama à tarde, das 13:20 a 18h. O passeio é delicioso, mesmo no calor escaldante de março a localização delas é alta com relação à cidade e tem um friozinho de montanha. Foi ótimo para descansar, mas para ficar perfeito, poderiam deixar levar nosso vinho como fizemos nas Termas de Polques.
Dia 11:

Pukara de Quitor 
Laguna Cejar 
Ojos del Salar 
Pukara de Quitor 
Laguna Cejar e Licancabur
San Pedro de Atacama – Nesse dia alugamos uma bike bem cedo (8:30) para fugir do sol quente e pedalamos em direção ao Pukara de Quitor. Eu particularmente não gostei de andar de bicicleta lá, pois a estrada oscilava entre areia fofa e pedregulhos, mas o Pukara é lindo! Tem formações rochosas parecidas com o Valle de La Luna, mas durante a trilha tem alguns ângulos especiais com vista das montanhas, do Licancabur e da cidade.
À tarde fizemos o passeio da Laguna Cejar, que é tão cheia de sal que é impossível afundar.
Curiosidade: A Laguna Cejar mesmo é um pântano, a que podemos entrar e boiar é a Laguna Piedra.
Ponto positivo de ter feito o tour com a Whipala é que ele chega e sai um pouco depois e dos demais tours, o que nos deu 40min sozinhos na lagoa e não pegamos a fila do banho depois. Depois da Laguna Cejar, passamos no Ojos del Salar, em que é possível tomar banho na lagoa ou apenas curtir o Happy Hour oferecido pelo passeio, com drinks e petiscos.
O dia termina com pôr do sol na Laguna Tebenquiche, que também é muito bonita!
Dia 12:

Piedras Rojas 
Pachamama nas Piedras Rojas 
Lagunas Altiplanicas
San Pedro de Atacama – Finalizamos com chave de ouro fazendo o passeio nas Lagunas Altiplanicas e Piedras Rojas. Eu achava que o Piedra Rojas seria o meu preferido, mas as lagunas foram inesquecíveis. O passeio começa cedo, às 7h e volta às 17h, mas é um tour bem tranquilo, com várias paradas e, mesmo sendo em maior altitude, anda bem pouco, então não é necessário estar aclimatado. Aliás, todos os passeios que fizemos no Atacama foram muito tranquilos, sem correria e sem muitas trilhas.
Dia 13:
Transfer para Calama – Compramos passagem de ônibus comum por 3000 pesos cada até Calama. Valeu a pena pela economia, mas o ônibus atrasou e tinha um movimento estranho ao redor das malas na chegada, então recomendo muita atenção para não ter a mochila roubada. Um transfer custa 4x mais, 12mil pesos, mas tem a comodidade de levar direto no aeroporto.
Nós dormimos em Calama e acordamos cedo para o vôo no dia seguinte.
Dia 14:
Voo de volta para o Rio.
Onde se hospedar
La Paz
Nós ficamos no Loki Boutique La Paz, que tem uma infraestrutura ótima, mas não gostamos nada do atendimento. O preço, no entanto, é muito bom: em torno de 100 reais a diária para duas pessoas em quarto duplo.
Uyuni

Resolvemos fazer uma “noite de luxo” em Uyuni no Hotel Cristales Joyas de Sal. O hotel é ótimo, novinho, mas o preço é bem mais alto do que outros na região – uns 250 reais a diária

A travessia no Salar de Uyuni é feita em pacote fechado com tudo incluso, exatamente como a expedição que fizemos no Jalapão. Foram 180 dólares os 3 dias incluindo passeios, comidas, transporte e hospedagem com a Quechua Connection. Algumas entradas não estão inclusas, assim como sanitários e bebidas alcoólicas. Gastei 200 bolivianos com esses extras.
San Pedro de Atacama
Ficamos no Hostal Alto Yali com quartos novinhos e bem limpos. Observe que os preços no Atacama são muito mais altos que na Bolívia. Nesse hostal, por exemplo, pagamos em torno de 300 reais a diária.
Onde Comer
La Paz

Boas opções de menu executivo com bom preço. Para nós dois a conta, com gorjeta bebida, ficou em 60 reais.

Localizado em uma livraria, o café é um lugar gostoso para tomar café e é ao lado da Plaza Murillo. O preço é um pouco mais alto do que outros na região, uns 30-40 reais para duas pessoas tomarem café da manhã.

O menu de café da manhã tinha opções de sanduíches deliciosos, com diferentes embutidos e molhos exóticos. Vale provar!
Uyuni

Não há grandes destaques culinários, mas o Minuteman Pizza foi bem gostoso (a conta deu 70 reais para os dois e sobrou pizza), assim como o Lliphi (65 reais o almoço para dois).
Atacama
Famoso entre os brasileiros, possui um preço bom no almoço por aproximadamente 7500 pesos.
O lugar é pequeno e pode ter fila de espera, mas tem boas opções de pizza por uns 9-10mil pesos.
Esse é um restaurante mais caro, mas como estávamos sem fome, dividimos um risoto de camarão de 13 mil pesos tranquilamente .
Burger Garden
Tem poucas mesas, mas o hambúrguer é bom e custa uns 7 mil pesos. Infelizmente, parece que o local fechou.
Foi um dos que mais gostei, tinha opção de ceviche+filé com ervas e quinoa+sundae por 6900 pesos chilenos.
Com ótimas opções de baguetes e croissant, fomos lá duas vezes para fazer um lanche rápido em vez de jantar. Os preços foram de 2500 a 3 mil pesos cada e amamos!
Passeios
Recomendo a Quechua Connection para a travessia em Uyuni pelo diferencial do alojamento com banho nas Termas de Polques e por no período não alagado ter passeio de bike no salar. A Quechua faz um roteiro com alguns lugares diferenciados das outras e atendimento, comida e hospedagem foram muito bons. O guia fez tudo com calma, sem pressa, atendendo ao ritmo do grupo sem nos estressar com horárioa e deu tempo de fazer tudo com tranquilidade.
No Atacama fechamos com a Whipala, que tinha carro com microfone (um diferencial, pois quem senta atrás na van nada escuta sem microfone), bons guias e faziam alguns horários diferentes das outras para evitar multidões. O preço deles também é bem melhor do que empresas famosas no Brasil, mas há outras mais baratas, como a Los Andes e Linckan Antay.
Valle de La Luna foi 18 mil pesos, Thermas foi 15 mil, Piedras Rojas 55 mil (incluso almoço) e Laguna Cejar foi 20 mil (incluso lanche). Ganhamos 20% de desconto em todos os passeios por reservar antecipado.
Câmbio
Como sempre, fizemos nosso câmbio de reais para dólares pela DG Câmbio, a melhor cotação que já encontrei. Em La Paz fazíamos a cotação nas casas de câmbio próximas a Plaza del Obelisco. No dia que fomos a melhor era no Banco Bisa.
No Atacama a recomendada era a Casa de Cambio Emily e realmente era a melhor cotação.
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